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Arquivo com os Exercícios de Filosofia Clínica contendo as respostas comentadas:

 

Observe a interpretação sobre a necessidade do ocidente ter realizado a II Guerra Mundial, por Christopher Hitchens.

Converse com seus colegas e professores sobre o pensamento de Hitchens sobre o assunto.

 

        

Há algum julgamento de valor sobre o qual estamos essencialmente de acordo? Fora abstrações como uma crença geral na democracia, provavelmente haveria a mais ampla concordância em torno da idéia de que valeu a pena lutar a Segunda Guerra Mundial. A historiografia acadêmica, no entanto, ofereceu vários tipos de interpretação revisionista para essa idéia. Os revisionistas dizem que a Segunda Guerra foi desnecessária. Eles estão errados. Niall Ferguson, por exemplo, propôs olhar para as duas grandes guerras como um conflito único, apenas pontuado por um longo e agourento armistício. Historiadores conservadores britânicos, como Alan Clark e John Charmley, criticaram Winston Churchill por construir sua carreira sobre a guerra, por ignorar gestos que buscavam a paz e por acabar permitindo que o Império Britânico fosse dissipado e destruído. Agora, Pat Buchanan, duas vezes candidato à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano e em 2000 pelo ideológico Partido da Reforma, condensou todos os argumentos contrários à guerra no recente Churchill, Hitler e a Guerra Desnecessária. Sua posição é a seguinte:

• A Alemanha enfrentou cerco e injustiça tanto em 1914 quanto em 1939.

• O Reino Unido, nesses dois anos, deveria ter se mantido fora das querelas no continente europeu.

• Winston Churchill foi o líder britânico mais belicoso em ambas as ocasiões.

• Os Estados Unidos foram desnecessariamente arrastados para a guerra nas duas ocasiões.

• Os principais beneficiários foram Josef Stálin e Mao Tsé-tung.

• O Holocausto dos judeus da Europa foi consequência de uma guerra evitável, tanto quanto do racismo nazista.

Prisioneira de uma casta militarista, a Alemanha procurou
por uma chance de guerra em todo o globo

Descendente do movimento América Primeiro, de Charles Lindbergh, que procurava – e diz ter achado – um lobby cosmopolita por trás da vontade de Franklin Delano Roosevelt de envolver os EUA em uma guerra global, Buchanan é o crítico mais incisivo do que ele considera ser uma querida ilusão nacional. Seu livro transmite a sensação de que veio sendo preparado durante toda a sua vida. Mas ele enfrenta uma dificuldade insuperável. Se alguém quiser demonstrar que a Alemanha foi mais uma vítima que um agressor em 1914, precisará confinar o relato (como Buchanan faz) à pouco importante questão legal da neutralidade belga e de se o Reino Unido tinha a obrigação de entrar na guerra do lado dos belgas. Prisioneira de uma casta governante militarista, a Alemanha procurava uma chance de guerra em todo o globo. O Kaiser escolheu uma guerra com o Reino Unido, ao apoiar os rebeldes holandeses na África do Sul e ao massacrar o povo ovampo no que é hoje a Namíbia. Ele procurou problemas com os franceses, mandando abruptamente navios de guerra para Agadir, no Marrocos francês, o que quase deu início à Primeira Guerra Mundial, em 1905.

O que nunca é mencionado por Buchanan é que o Kaiser visitou Damasco e pagou a reconstrução da tumba de Saladino, anunciou ser simpatizante do islã e amigo da jihad, encomendou a construção de uma ferrovia Berlim–Bagdá para projetar os braços alemães no Oriente Médio e na Ásia. Ele geralmente se punha do lado do imperialismo otomano, que mais tarde declararia uma “guerra santa” contra o Reino Unido. Sugerir que ele se sentiu injustamente aprisionado pela dominação da Marinha Real no Mar do Norte enquanto conduzia esse tipo de política de Estado é absurdo.

Buchanan faz o leitor bufar com o cinismo e a estupidez dos conservadores britânicos. No Acordo Naval Anglo-Germânico de junho de 1935, eles espantaram os franceses, os italianos e os russos ao concordar, unilateralmente, em permitir a Hitler a construção de uma frota de submarinos do mesmo tamanho que a britânica. Isso deu a Hitler a arma que ele logo apertaria contra a garganta do Reino Unido, além de convencer os potenciais aliados britânicos de que seria muito melhor para eles fazer seus tratados com Berlim. Foi essencialmente isso o que ocorreu.

 

                                                      

 

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